quinta-feira, 30 de julho de 2009

Bernardino Machado, presidente do Instituto de Coimbra

Eleito sócio efectivo do Instituto de Coimbra em 1873, época em que realizava os estudos de Matemática e Filosofia na Universidade de Coimbra, Bernardino Machado (1851-1944) viria a tornar-se um dos mais emblemáticos presidentes desta academia científica e literária. Começou por ocupar o lugar de vice-director da Classe de Literatura e Belas Artes, entre 1877 e 1880, assumindo mais tarde o cargo de presidente da Direcção do Instituto num período conturbado por quezílias internas, revelando-se uma figura central que, através da sua acção, em muito contribuiu para sanar as discórdias e refazer a unidade deste corpo académico.

Foi eleito presidente em Assembleia-Geral de 26 de Maio de 1896 e, através de sucessivas reeleições, manteve-se no cargo ainda na primeira década de 1900. Destacam-se, durante a sua direcção, a admissão de grande número de sócios, incluindo as primeiras mulheres a fazerem parte desse número (Maria Amália Vaz de Carvalho, Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Amélia Janny, Domitilla Hormizinda Miranda de Carvalho); a cedência por parte do reitor da Universidade de Coimbra de todo o espaço do Colégio de S. Paulo Eremita ao Instituto e a realização de obras nesse mesmo espaço; a criação de cursos para operários; ou a comemoração do Primeiro Centenário do Nascimento de Almeida Garrett.


Livro de registo de matrículas dos alunos dos cursos populares (1897)


Em paralelo, leccionava na Faculdade de Filosofia, para a qual foi muito cedo nomeado lente catedrático (1879) e onde se viria a tornar professor de Antropologia, cadeira que foi criada por sua iniciativa em 1885. Já depois de cessar estas funções, Bernardino Machado foi eleito sócio honorário do Instituto, em Assembleia-Geral de 14 de Dezembro de 1910. Entretanto, tinha-se desligado da actividade docente em 1907 e partido para Lisboa, onde prosseguiu a sua actividade republicana. Integrou o Governo Provisório da 1ª República, em 1910, chefiou o Governo em 1914 e em 1921, e foi duas vezes eleito Presidente da República Portuguesa, em 1915 e em 1925.

Assinou diversos artigos na revista O Instituto, com especial relevo para os temas da educação, entre eles “O estado da instrucção secundaria entre nós” (vol. 30), “Notas d’um pae” (vols. 43, 44, 46, 47, 48, 49, 50), “Curso de pedagogia” (vol. 47) e “Pela liberdade” (vol. 48).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Instituto e a telegrafia eléctrica

A análise de alguns dos artigos científicos publicados nas páginas da revista O Instituto revela a evolução da física no nosso país, em particular as ideias associadas à electricidade e ao magnetismo no século XIX, que revolucionaram as comunicações com a sua aplicação primeiro na telegrafia eléctrica e depois na telegrafia sem fios.

A telegrafia eléctrica em Portugal

A segunda metade do século XIX foi uma época de grandes transformações tecnológicas no nosso país. Em 26 de Abril de 1855, Fontes Pereira de Melo, então Ministro das Obras Públicas, assinou com o francês Alfredo Breguet, em representação da firma Breguet, sedeada em Paris, um contrato que previa a construção das primeiras linhas de telégrafo em Portugal. Quase simultaneamente, com início em Maio de 1855, a revista O Instituto do Instituto de Coimbra iniciou a publicação de um artigo, em várias partes, sobre a telegrafia eléctrica da autoria de José Maria de Abreu (1818-1871), no qual este lente da Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra (FFUC) relatava, em pormenor, a história da telegrafia eléctrica desde os seus primeiros ensaios, realizados em 1774, até essa data, passando pelas sucessivas inovações de que beneficiou. Abreu descreveu os aparelhos mais recentes utilizados em França, Inglaterra e na América, realçando as suas vantagens e desvantagens técnicas e comparando-os com outros já instalados em Portugal. Premonitória foi a sua conclusão relativamente à superioridade do aparelho de Morse, que mais tarde viria a substituir os de Breguet no nosso país, que eram então usados em França e que se incluíam nos telégrafos de quadrante. As imagens que se seguem correspondem: ao telégrafo de Breguet - o mostrador possui um ponteiro, que se move por acção de uma agulha magnética, onde estão representadas as letras do alfabeto (modelo didático do Museu de Física/Ciência da UC) e ao telégrafo de Morse - através de um lápis ou ponteiro de aço e por acção de uma alavanca, que o pressiona contra um rolo de papel, são marcados na fita pontos e traços (também do Museu de Física/Ciência da UC).

O Congresso Internacional de Paris de 1881 e as unidades eléctricas


A importância social adquirida pela telegrafia conduziu a um grande interesse, no nosso país, pelo estudo dos fenómenos eléctricos. No Congresso Internacional de Paris, de 1881, e nas Conferências que se seguiram, realizadas em 1882 e 1884, estabeleceu-se um sistema de unidades eléctricas (C.G.S.) para adopção internacional. Nele esteve presente António dos Santos Viegas (1835-1914), uma figura incontornável do panorama académico nacional da época. A FFUC elaborou um parecer favorável a este sistema, que foi publicado n’O Instituto. Para além da definição de um sistema de unidades eléctricas, as Conferências de Paris tentaram também definir critérios internacionais para as correntes das linhas telegráficas. Como exemplo do interesse suscitado em Portugal neste tema, refira-se que Henrique Teixeira Bastos (1861-1943) - na fotografia, aluno de Santos Viegas e posteriormente médico e professor da 2.ª cadeira de Física (Electricidade e Óptica) da FFUC, discutiu, na sua dissertação inaugural, em 1884, o tema Unidades Eléctricas e analisou, na sua dissertação de concurso em 1885, o tema Teoria electromagnética da luz, tendo esses dois trabalhos sido publicados pela Imprensa da Universidade.


Principais resoluções do Congresso (1881) e Conferências (1882 e 1884)

Ficou estabelecido o ohm como unidade de resistência, tendo como padrão uma coluna de mercúrio de um milímetro quadrado de secção e 106 cm de altura, à temperatura do gelo fundente. A força electromotriz passaria a ter como unidade o volt, correspondente a 108 unidades absolutas C.G.S.. Definiram-se também as unidades de corrente eléctrica, massa eléctrica (carga eléctrica) e capacidade eléctrica, respectivamente: o ampére, o coulomb e o farad. Todas as unidades passariam a ser baseadas no sistema electromagnético. Para além da metrologia, os trabalhos também incidiram em aspectos práticos relacionados com a telegrafia eléctrica. Decidiu-se pela utilização das linhas telegráficas para observação das “correntes terrestres” e elaboraram-se dois questionários para recolher elementos estatísticos relativos à eficácia de pára-raios e “à influência preservadora ou nociva das redes telegráficas”.

Telegrafia sem fios
Em 1897, A. A. M. Vellado Alvez Pereira da Fonseca (1873-1903), sob a orientação de Teixeira Bastos, publica uma tese sobre as Oscillações eléctricas, onde vêm relatadas as principais experiências realizadas sobre estes fenómenos, destacando-se as de Heinrich Hertz e Nicolau Tesla. O capítulo final da segunda parte é dedicado à telegrafia sem fios, onde Fonseca descreveu os sistemas a serem testados na altura. A evolução das comunicações, em particular o desenvolvimento da telegrafia sem fios, foi seguida atentamente no nosso país, como mostram as páginas d’O Instituto. Em 1903, dois anos depois da experiência de Marconi de transmissão de um sinal de rádio transatlântico, Álvaro José da Silva Basto (1873-1924), professor de Química Orgânica da FFUC, publicou na referida revista um extenso artigo sobre Os phenomenos e as disposições experimentais da telegrafia sem fios, onde incluiu alguns esquemas dos equipamentos então em uso.
(Uma descrição mais alargada deste assunto está disponível no artigo: Leonardo, A. J., Martins, D. R. e Fiolhais, C. (2009). A telegrafia eléctrica nas páginas de O Instituto, revista da Academia de Coimbra. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 31, n. 2, 2601 – http://www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/312601.pdf)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Arquivo do Instituto de Coimbra

O arquivo do Instituto de Coimbra é constituído por 77 caixas e 55 livros. Esta é uma dimensão provisória, uma vez que na organização da biblioteca do Instituto têm vindo a ser encontrados documentos de arquivo entre as publicações.
A documentação encontra-se fragmentada e sem a ordem original, restando uma pequena parte do testemunho das actividades do Instituto de Coimbra. As datas apuradas correspondem ao ano de início e de fim dos documentos existentes. Verificam-se grandes lacunas nos períodos de produção, que se encontram interrompidos por vários anos ou décadas.
O fundo encontra-se em fase de inventário e organização. Os documentos serão reacondicionados por séries documentais, de acordo com os órgãos e as actividades que lhes deram origem, respeitando a sequência cronológica da produção.
CARACTERIZAÇÃO DO FUNDO - Documentação de arquivo que regista as principais actividades desenvolvidas pelo Instituto de Coimbra durante a sua existência:
Reuniões dos órgãos directivos do Instituto de Coimbra: actas de reuniões publicadas na revista sob a designação de Boletim do Instituto. 1854-1985
Conteúdo: Actas das sessões da Direcção, da Assembleia Geral e das Classes do Instituto. Convocatórias para as sessões.
Unidades de Instalação: 6 livros, documentos avulsos.
Contabilidade: documentos contabilísticos e registo das operações de tesouraria. 1855-1986
Conteúdo: Livros de receita e despesa, livros de ordens e guias de pagamento, livros de contas correntes, registos de pagamento da revista O Instituto, recibos das quotas de sócios e documentos de receita e despesa dos anos económicos (facturas, recibos, talões, títulos de cobrança e folhas de pagamento do pessoal do Instituto).
Unidades de Instalação: 2 caixas, 27 livros, 8 pastas, documentos avulsos.

Correspondência: correspondência trocada com sócios do Instituto, instituições com permuta de revistas, fornecedores e outros. 1868-1997
Conteúdo: Livros de registo de correspondência, copiador de correspondência expedida, correspondência recebida.
Unidades de Instalação: 10 caixas, 3 livros, 23 pastas.
Sócios: registo dos sócios do Instituto de Coimbra. 1884-1983
Conteúdo: Ficheiro de sócios do Instituto, livro de registo de sócios das Classes, propostas de sócios apresentadas ao Instituto.
Unidades de Instalação: 1 livro, 11 pastas, documentos avulsos.
Biblioteca do Instituto de Coimbra: registo e inventário de monografias e publicações periódicas que constituem a Biblioteca do Instituto. 1866-1946
Conteúdo: Livros de registo de monografias e publicações periódicas, fichas de títulos da Biblioteca, ficheiro de permutas de revistas.
Unidades de Instalação: 7 caixas, 7 livros, documentos avulsos.
Revista O Instituto: documentação que se refere à publicação e distribuição da revista. 1925-1952
Conteúdo: Relações de assinantes da revista, fichas de assinantes, registo da distribuição, inventário da revista, provas tipográficas.
Unidades de Instalação: 4 caixas, 3 livros, 1 pasta, documentos avulsos.
Memórias de Castilho: documentos relativos à produção e publicação da obra de Júlio de Castilho dedicada à vida do seu pai. 1823-1932
Conteúdo: Manuscritos, provas tipográficas, correspondência e registos de propriedade literária da obra Memórias de Castilho, publicada pelo Instituto de Coimbra. Documentos pertencentes a António Feliciano de Castilho que serviram para a compilação das suas memórias: diplomas, requerimentos, cartas, relações de despesas, recortes de imprensa.
Unidades de Instalação: 7 volumes, 20 caixas.

SUBFUNDO: Associação Portugal – RDA: fundo documental de organização autónoma do Instituto de Coimbra. 1975-1977
Conteúdo: Fichas de inscrição, estatutos da associação, documentos de organização e divulgação de actividades, relatórios de actividades, documentos de despesa e correspondência.
Unidades de Instalação: pastas e documentos avulsos.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A Secção de Arqueologia do Instituto de Coimbra

Embora tenha nascido apenas vinte anos depois da fundação do Instituto, a Secção de Arqueologia assumiu-se, durante um largo período e logo desde o início, como o núcleo mais activo dentro desta academia. Do ponto de vista científico, os seus membros revelaram-se incansáveis nas pesquisas arqueológicas, nos estudos e na publicação dos seus resultados.
A Secção teve origem na Classe de Literatura e Belas-Artes, onde, na sessão de 5 de Março de 1873, Augusto Filipe Simões propôs a nomeação de uma comissão especializada neste sector, à qual caberia reunir um conjunto de objectos de valor arqueológico e epigráfico que constituiriam o Museu de Antiguidades do Instituto. A proposta foi aclamada e imediatamente se formou a dita comissão, onde se integraram, além do próprio Augusto Simões, Abílio Augusto da Fonseca Pinto, Augusto Mendes Simões de Castro, Miguel Osório Cabral de Castro (que se tornaria presidente da Secção), João Correia Aires de Campos, entre outros. Este último tomou a seu cargo a organização do museu, do qual foi conservador durante vários anos, e ainda a publicação do Catálogo dos objectos existentes no Museu de Arqueologia do Instituto de Coimbra.

Alguns sócios e outros estudiosos (e a própria Câmara Municipal de Coimbra) foram oferecendo objectos para o museu (lápides, esculturas, utensílios, peças pré-históricas, etc.), enquanto a recém-nomeada comissão se reunia frequentemente para debater temas deste domínio historiográfico, para organizar escavações arqueológicas e para desenvolver um projecto de regulamento da Secção. De facto, a 4 de Julho de 1874, em sessão da Direcção do Instituto, foi aprovado o regulamento da Secção de Arqueologia, que passava assim a ter existência oficial e legalizada dentro da academia. O texto declara, no art. 2º do capítulo I, ser o principal objectivo da Secção “o estudo da arqueologia geral e da especial do reino de Portugal, e bem assim o desenvolvimento e propagação dos conhecimentos desta parte das ciências históricas”.
A relevância desta Secção resulta, fundamentalmente, em dois aspectos. Um deles é a constituição de um museu de Arqueologia, cuja colecção viria a ser incorporada no Museu Machado de Castro. O outro vector é o das escavações que o próprio Instituto iniciou nas ruínas de Conímbriga, chamando a atenção para o valor cultural e histórico deste património.

Sala do Museu de Antiguidades do IC

terça-feira, 17 de março de 2009

Comportamento higrotérmico

Os valores médios mensais de temperatura e de humidade relativa registados nos últimos quatro meses estão mais próximos dos valores recomendados pela International Federation of Library Associations (IFLA).

Como se pode verificar na tabela, o valor médio da temperatura registado no último quadrimestre encontra-se já dentro dos parâmetros recomendáveis (oscilação entre os 16ºC e os 20ºC). Comparativamente com o valor médio verificado no quadrimestre anterior (Julho-Outubro), observou-se uma queda acentuada de 3,4ºC. Um maior aproveitamento da ventilação e da circulação do ar, assim como a habitual descida da temperatura exterior dos meses de Outono e de Inverno, explicam esta descida da temperatura.

O valor médio da humidade relativa do ar registado no quadrimestre em análise situa-se nos 57%. Como se pode constatar pelo gráfico, os valores médios mensais obtidos enquadram-se perfeitamente dentro dos valores recomendados pela IFLA, que se cifram nos 55% (com a tolerância de ± 5%).

quinta-feira, 12 de março de 2009

As Ciências Físico-Químicas n’O Instituto

A revista “O Instituto” foi considerada desde o início como um dos meios para atingir o objectivo mais vasto do Instituto de Coimbra (IC), que era o alargamento da “a cultura das ciências, belas letras e artes”. A II Classe do IC era dedicada à ciência e dela emanaram muitos artigos que pretendiam a comunicação “em linguagem fácil, despida do aparato das escolas, as noções fundamentais de todas as ciências, aos que não podem, profundamente, cultivá-las”, segundo as palavras do seu fundador e primeiro presidente, Adrião Forjaz de Sampaio (1810-1874), expressas na introdução ao primeiro volume de “O Instituto”. A importância dada à cultura científica compreende-se pela prevalência de professores das Faculdades de Matemática e Filosofia (ou da Faculdade das Ciências, que sucedeu às referidas duas em 1911) que ocuparam o cargo de Presidente do IC. Dos 17 presidentes do IC (ao longo do período de publicação da revista), cerca de metade (oito) são provenientes destas faculdades e quatro da Faculdade de Medicina.
Em complementaridade dos índices já existentes da revista “O Instituto”, que englobam a totalidade dos artigos publicados, decidimos elaborar um novo conjunto que incide apenas nas ciências Físico-Químicas, com o intuito de disponibilizar aos investigadores destas áreas uma fonte de informação que é reveladora da evolução destas ciências no panorama nacional ao longo da segunda metade do século XIX e a grande parte do século XX (até 1981).

Os índices foram organizados por temas (ideográfico), cronologicamente e por respectivos autores (onomástico). No prefácio do trabalho incluímos uma análise estatística que avalia, genericamente, o relevo assumido pela Química e pela Física em comparação com as restantes ciências tratadas na II classe do IC e com a totalidade de artigos, ao longo do período de publicação da revista (1852-1981).


Este trabalho associa-se assim a esforços anteriores no sentido de tornar a consulta da revista "O Instituto" mais acessível a todos os interessados.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Memórias de Castilho

No passado dia 8 de Fevereiro completaram-se 90 anos sobre a morte do escritor Júlio de Castilho, um dos eminentes sócios do Instituto de Coimbra (admitido em Assembleia-Geral de 1 de Junho de 1873). Nascido em 1840, filho do poeta romântico António Feliciano de Castilho, foi 2º Visconde de Castilho e pertenceu também a outras sociedades, como a Academia das Ciências e a Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses. Da sua vasta e diversificada obra, destacam-se os estudos relativos à cidade de Lisboa, em especial a série Lisboa antiga, e ao arquipélago dos Açores, a obra poética e os textos dedicados a importantes figuras da cultura portuguesa, como os dramaturgos Gil Vicente e António Ferreira. Entre estes, salientamos a compilação que elaborou sobre a vida e obra de seu pai, as Memórias de Castilho, que foram publicadas na revista O Instituto, entre os anos de 1890 e 1914, nos volumes 38 a 50 e 56 a 61. Por disposição testamentária, Júlio de Castilho doou os manuscritos das Memórias ao Instituto de Coimbra, que fazem agora parte do espólio legado à Biblioteca Geral da UC. Na mesma revista editou ainda outros artigos, entre os quais um quadro biográfico-literário do político D. António da Costa (vol. 41), apontamentos biográficos sobre o pintor Francisco Vieira Lusitano (vol. 37), e uma versão da tragicomédia Amadis de Gaula, de Gil Vicente (vol. 57).

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O Instituto de Coimbra e a Química Forense

António Augusto da Costa Simões (1810-1903) foi um eminente médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Foi sócio efectivo do Instituto de Coimbra (IC) desde a sua fundação, tendo sido colaborador na revista O Instituto desde o seu início. Desempenhou vários cargos no IC, tais como secretário (1855-1858) e director (1860-1862) da 2.ª Classe e membro da Secção de Arqueologia. Em 6 de Novembro de 1867 tomou posse como presidente do IC, cargo que desempenhou até 1972, tendo sido eleito sócio honorário a partir de 8 de Fevereiro de 1879.
Costa Simões distinguiu-se em muitas vertentes, tendo ocupado vários cargos políticos como o de deputado, vice-presidente do parlamento e de presidente da Câmara Municipal de Coimbra. Para além da investigação na área da fisiologia humana, dedicou-se também à análise química, tendo realizado análises da água dos Banhos do Luso, dos quais foi grande dinamizador, e interveio decisivamente no projecto de abastecimento de águas de Coimbra.
No quarto volume do jornal O Instituto, de 1855, surgiu uma série de artigos intitulados de Chimica Legal, da autoria de Costa Simões, onde este descreveu as análises efectuadas no Laboratório Chimico da Faculdade de Filosofia para a detecção de venenos em amostras provenientes de diversas localidades. Naquela época as análises toxicológicas eram apenas realizadas nos laboratórios de Coimbra, Porto e Lisboa. Num dos casos tratados pode ler-se:

Desgostou-se o doente com o sabor da primeira dose; e a sua mulher, para o resolver a continuar, tomou também algumas colheres do medicamento; e ambos morreram nessa noute, com symptomas de envenenamento.

Costa Simões, recorrendo ao teste de Marsh, detectou a presença de arsénico na amostra do xarope de amoras e oximel, um remédio caseiro para aliviar os sintomas de angina, cuja quantidade foi bastante para produzir a morte por envenenamento, na dose de duas colheres, de dois adultos.


Mas também outros venenos foram analisados nos vários casos descritos, em particular os alcalóides, com recurso ao método de Stas para o isolamento destas substâncias. O relato pormenorizado que Costa Simões fez dos métodos analíticos usados demonstra que este possuía um conhecimento muito actualizado das mais recentes descobertas em toxicologia.
A actividade forense em Portugal nessa altura era muito limitada, sendo escassos os cenários nos quais havia recolha de amostras. O objectivo de Costa Simões com estes artigos foi demonstrar que a maioria das análises toxicológicas não necessitavam de muitos aparelhos ou reagentes, e que os processos não eram tão complicados que exigissem os recursos de um laboratório químico. Sendo reconhecido o veneno, seria possível proceder, no próprio local, a alguns testes e por meios tão simples, que os pode fornecer qualquer botica d’aldea.
A iniciativa de Costa Simões, no âmbito da ciência forense, seria prosseguida pelo seu condiscípulo e amigo José Ferreira de Macedo Pinto (1814-1895), médico e professor de Medicina Legal, Higiene Pública e Polícia Médica da Faculdade de Medicina de Universidade de Coimbra. Macedo Pinto foi também sócio fundador do IC onde desempenhou os cargos de Tesoureiro, entre 1855 e 1858, e de Vice-Presidente, entre 1860 e 1862. A ele se deve a organização do Gabinete de Química da Faculdade de Medicina que, na altura (1860), já possuía uma vasta colecção de reagentes, instrumentos e utensílios para análises toxicológicas. Uma breve notícia da fundação deste gabinete foi publicada no décimo volume de O Instituto.

(Uma descrição mais alargada deste assunto estará disponível no artigo: Leonardo, A. J., Martins, D. R. e Fiolhais, C. (2009). António da Costa Simões e a génese da química forense em Portugal. Revista da Sociedade Brasileira de História da Ciência – a publicar)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Revista "O Instituto" oferecida a Portalegre

A Biblioteca Municipal de Portalegre (BMP) recebeu recentemente uma colecção (o mais completa possível) da revista O Instituto, oferecida pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC). O acto simbólico da entrega decorreu na passada segunda-feira, 12 de Janeiro, quando a bibliotecária da BMP, Olga Ribeiro, se deslocou a Coimbra, onde foi acolhida pela equipa do projecto e pelo director adjunto da BGUC, A. E. Maia do Amaral, tendo-lhe sido também proporcionada uma visita às instalações da Biblioteca Geral e da Biblioteca Joanina.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Formação em 2008

Em cumprimento do plano de formação previsto para o tratamento da Biblioteca do Instituto de Coimbra, os bolseiros frequentaram os módulos de catalogação de monografias e, ainda, o de catalogação e gestão de periódicos. O trabalho a desenvolver no âmbito da validação de imagens e da verificação de conteúdos para a realização do projecto em curso da edição digital de “O Instituto”, levou a que os bolseiros tivessem formação também nas aplicações ContentE e PAPAIA da Biblioteca Nacional Digital (BND). Por último, entendeu-se ser oportuna a presença dos bolseiros nas sessões de actualização de conhecimentos e de pesquisa em bases de dados bibliográficas, promovidas pela SCOPUS e Web of Knowledge.
Plano observado de formação:
- Nos dias 8 a 10 de Setembro, formação no módulo de catalogação de monografias do sistema Millennium, na BGUC, por Fátima Carvalho, num total de 15 horas;
- A 17 de Outubro, acção de actualização na base de dados em linha SCOPUS (Elsevier), no departamento de Matemática da FCTUC, por Eduardo Ramos, num total de 2 horas;
- A 22 de Outubro, acção de actualização na base de dados em linha Web of Knowledge, na Biblioteca do Departamento de Engenharia Civil, por Alain Frey, num total de 3 horas;
- No dia 23 de Outubro, formação nas aplicações PAPAIA (nomeação de imagens) e ContentE (agrupamento das imagens de acordo com a estrutura da obra), por Dália Guerreiro (DigiCult), num total de 3 horas.
- Entre os dias 10 e 11 de Novembro, formação no módulo de gestão e catalogação de publicações periódicas do sistema Millennium, na BGUC, por Iulianna Gonçalves e Maria Teodósio Jacinto, num total de 12 horas.
Desde o início do Projecto Instituto de Coimbra, entre Julho de 2008 e meados do mês de Novembro, a equipa de bolseiros frequentou no seu conjunto cerca de 105 horas de formação.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

“O Instituto de Coimbra e a evolução das Ciências Físico-Químicas em Portugal de 1852 a 1952” - Doutoramento em Ensino e História da Física

Adrião Pereira Forjaz de Sampaio (1810-1874), primeiro presidente do Instituto de Coimbra
A ciência em Portugal, apesar de ter permanecido longe da ribalta mundial, conheceu um significativo impulso com a formação em 1852 de uma academia científica e literária – o Instituto de Coimbra (IC). A publicação da revista O Instituto e a criação de uma biblioteca dentro do IC deram origem a um valioso espólio bibliográfico e documental que constitui uma importante fonte de informação sobre o desenvolvimento da ciência em Portugal na segunda metade do século XIX e em quase todo o século XX. A sua acção ligada à da Universidade de Coimbra foi considerável, ao promover a organização de vários congressos e conferências com a participação de eminentes cientistas estrangeiros, ao publicar a referida revista científica e literária, ao procurar a renovação dos conteúdos curriculares, etc.
A acção do IC está em larga medida por estudar, tal como está de resto a acção, seja ela positiva ou negativa, do academismo científico em Portugal. Mas o rol de personalidades que pertenceu ao IC é tão rico e extenso, tocando todos os quadrantes da sociedade portuguesa, que se pode, com base nos artigos que esses e outros autores publicaram na revista do Instituto, bem como nas teses académicas publicadas pela Imprensa da Universidade, assinalar e discutir alguns marcos da história da ciência e do ensino em Portugal entre 1852 e 1950.
Foi com base nestes pressupostos que iniciei, em Maio de 2007, o meu trabalho de doutoramento, sob a orientação do Prof. Dr. Carlos Fiolhais e co-orientação do Prof. Dr. Décio Martins do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Se o limite inferior natural para o presente trabalho foi o ano da fundação do Instituto de Coimbra, demarquei como limite temporal superior o ano de 1952, que marca o centenário do IC, por se considerar que a relevância dessa instituição decresce claramente a partir deste ano, apesar de ainda subsistir até ao início da década de 1980, já depois da Revolução de Abril de 1974.
Este trabalho pretende fazer uso do acervo do IC, que se encontra na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC), a fim de estudar o impacto que aquela instituição teve na evolução da ciência e do seu ensino no nosso país, em particular da Física e da Química, na segunda metade do século XIX e na primeira metade do século XX, tanto a nível universitário como pré-universitário. Para além disso, é objectivo deste estudo avaliar o nível de actualização científica da academia coimbrã através da organização dos cursos das Faculdades de Filosofia, Matemática e posteriormente da Faculdade de Ciências (que, em 1911, resultou da fusão das duas faculdades), da evolução dos programas de ensino e, com particular ênfase, das teses académicas publicadas pela Imprensa da Universidade.
Beneficiando de acesso ao espólio desta sociedade académica, a minha atenção incidiu em especial nos conteúdos da publicação O Instituto. Este jornal é constituído por 141 volumes que se estendem desde 1852 até 1981. Apenas existiam dois índices da revista O Instituto publicados: um que englobava os volumes 1.º a 91.º, de 1937, e outro dos volumes 91.º a 100.º, de 1949. Tendo verificado esta lacuna, elaborei um índice ideográfico e onomástico relativo aos volumes 101.º a 141.º, que já se encontra disponível na página da BGUC. Através de uma análise cuidada de todos os volumes d’O Instituto, foi seleccionada uma lista alargada de todos os artigos relevantes para a Física e para a Química. Esta informação está organizada num outro índice que será brevemente publicado on-line.
Com base em artigos publicados na revista do IC, elaborou-se o artigo intitulado “António da Costa Simões e a génese da Química Forense em Portugal“, cuja publicação já foi aceite pela Revista da Sociedade Brasileira de História da Ciência. Em fase de revisão encontra-se um segundo artigo com o título “A telegrafia eléctrica nas páginas de O Instituto, revista da academia de Coimbra.”
O trabalho desenvolvido originou comunicações nos congressos da Sociedade Portuguesa da Química (SPQ) e da Sociedade Portuguesa da Física (SPF): no XXI Encontro Nacional da SPQ, realizado de 11 a 13 de Junho de 2008 na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, por poster, com o título “A Química Analítica, nas páginas d’O Instituto, na segunda metade do século XIX”, e na 16.ª Conferência Nacional de Física/17.º Encontro Ibérico para o Ensino da Física, realizado de 3 a 6 de Setembro na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, também por poster, com o título “O Instituto e a telegrafia eléctrica em Portugal”.
Queria agradecer à Fundação para a Ciência e Tecnologia, instituição da qual sou bolseiro.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Um apontamento histórico

Ainda hoje se pode ver, no antigo edifício do Instituto de Coimbra (que actualmente alberga a Imprensa da Universidade e alguns serviços da Faculdade de Direito), situado na Rua da Ilha, junto à Sé Velha, uma lápide comemorativa do tricentenário do primeiro periódico português, a Gazeta da Restauração, oferecida ao Instituto pelo Secretariado da Propaganda Nacional (SPN), dirigido por António Ferro, em 1941. A revista O Instituto, na época a mais antiga em actividade, associou-se como tal a essas comemorações, que para mais coincidiram com a celebração do seu volume 100 (1942). O Instituto tinha então a sua sede no Colégio de S. Bento, local onde a lápide foi primeiro colocada. Alguns anos mais tarde, depois de obras de reconversão projectadas pelo arquitecto Alberto José Pessoa e concluídas em 1948, o Instituto foi instalar-se no referido edifício da Rua da Ilha, para onde foi transferida a placa.
Embora datada de 5 de Dezembro de 1941, sabemos que apenas em 14 de Outubro de 1942 foi descerrada a lápide, no final de uma Assembleia-Geral do Instituto, presidida por Francisco Miranda da Costa Lobo (vol. 101, p. 9-10). Foi o culminar de um conjunto de iniciativas ligadas à publicação do volume 100 d’O Instituto, entre as quais uma exposição de obras editadas pela academia e de outros documentos da sua biblioteca. Para além do SPN, estas celebrações receberam o apoio do Ministro da Educação Nacional, Mário de Figueiredo, e do Presidente da Comissão do Centenário da Gazeta, Alfredo da Cunha.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Criação de um carimbo para o fundo de O Instituto de Coimbra


Bibliotecário serve para muitas coisas até para trabalho gráfico: Ele é um cartaz para uma exposição, é um pendão para a fachada da biblioteca, é um catálogo todo feito com a “prata da casa”, enfim, o bibliotecário faz tudo aquilo para que o dinheiro vai sempre escasseando, por estes dias, nos organismos públicos. Tudo coisas que não devia fazer, e que faz mal, provavelmente.
Já com os carimbos para as espécies bibliográficas não tenho a certeza que assim seja. Desconfio até que não, que as especificidades de um modesto carimbo só podem ser definidas por um bibliotecário ou, pelo menos, por quem ame os livros. Porque um mau carimbo, inestético, desadequado aos livros onde se aplica, demasiado grande ou ilegível ofende e deprecia o livro onde é aplicado.
A história das marcas de posse da Biblioteca Geral está apenas começada, mas uma das últimas marcas desta história centenária foi agora produzida para a carimbagem do fundo bibliográfico e documental d’o Instituto de Coimbra. Por um bibliotecário, obviamente. Não será uma peça extraordinária de criatividade, mas é uma marca bibliográfica tecnicamente correcta. Foi concebida pelo subscritor, numa estética do século 19, com um desenho que simplifica o primeiro logótipo d’O Instituto, um “lettering” suficientemente legível, uma legenda precisa e, finalmente, produzida em dois tamanhos, para se adequar às dimensões dos documentos.
Nesta Biblioteca que se dedica como todas as bibliotecas à criação e à preservação da memória, muitas vezes não fica qualquer memória destes pequenos trabalhos internos (mas não administrativos) que são a vida da instituição. Porque um carimbo de borracha não exige um grande projecto nem uma Memória Descritiva, aqui se arquiva esta simples notícia, para memória futura dos trabalhos (grandes ou mais humildes) que também fazem a história de uma grande Biblioteca.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Comportamento higrotérmico

Estantes compactas

"Para que os documentos armazenados nos depósitos se conservem em boas condições é necessário que eles sejam bem arejados e que o ar circule no interior das estantes." (J. Gascuel). Particularmente em estantes compactas, onde se encontram acondicionados o arquivo e a biblioteca do Instituto de Coimbra. Neste sentido, divulga-se o quadro que regista os valores médios mensais de temperatura e de humidade relativa, observados desde o início do projecto.

O gráfico seguinte ilustra a descida gradual da temperatura ao longo dos últimos meses. O valor médio registado neste quadrimestre está, contudo, acima dos valores recomendados pela International Federation of Library Associations (IFLA), que deverão oscilar entre os 16ºC e os 20ºC. Para baixar os valores da temperatura e da humidade relativa, procedeu-se à abertura das janelas interiores da sala, de modo a obter uma maior ventilação interna.

A humidade relativa do ar sofreu uma descida acentuada de 10% do mês de Setembro para o mês de Outubro, a este facto não será alheio o já referido aproveitamento da ventilação e circulação de ar. Mas, tal como na temperatura, os valores médios da humidade relativa ainda se encontram um pouco acima dos valores recomendados pela IFLA, que se cifram nos 55% (com a tolerância de ± 5%).

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Edição digital da revista O Instituto



A revista O Instituto terá brevemente versão electrónica integral, ou seja, do volume 1 (1852/1853) ao volume 140/141 (1980/1981). Para possibilitar a pesquisa por título, autor e palavra significativa desta publicação, a equipa do projecto preparou os sumários, em ficheiro XLS, referentes aos cerca de cinco mil títulos de artigos.
Na execução técnica da edição digital desta revista, recorrer-se-á a duas aplicações informáticas disponibilizadas pela Biblioteca Nacional Digital, o Papaia, destinado ao processamento de páginas digitalizadas, e o ContentE, editor de conteúdos estruturados. Num segundo procedimento serão pedidos serviços de OCR e um sistema de pesquisa em texto integral, de forma a possibilitar o download em PDF de cada artigo.
A revista será integrada na Biblioteca Geral Digital, alargando e difundindo assim o acesso à produção científica e literária desta academia. Como exemplo, apresentamos o texto introdutório do primeiro número da revista, de 1 de Abril de 1852, em versão digital.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Inventário de existências e organização de colecções da revista "O Instituto"

O trabalho de inventariação e de registo informático das publicações editadas pelo IC – a revista e respectivas separatas –, que tivera início logo no mês de Julho, ficou concluído no final de Setembro. É agora possível saber com todo o rigor quais as existências relativas a cada volume e número, bem como as faltas.
Ao mesmo tempo, foram organizadas e devidamente identificadas quatro colecções, o mais completas possível, de O Instituto: revista científica e literária (1853-1981). Uma primeira, integrará o fundo da Biblioteca do IC e visa completar uma colecção já existente, cujos primeiros anos se encontram encadernados (1853-1889). Uma segunda colecção destina-se a corte e vai originar o projecto, em curso, da edição digital desta revista. A terceira, foi solicitada pela Biblioteca Municipal de Portalegre à Biblioteca Geral, pelo que será oferecida àquela instituição. Por último, fica organizada uma quarta colecção para, eventualmente, ser doada a uma instituição a designar.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Organização do Arquivo

A primeira intervenção no acervo do IC foi direccionada para proceder à separação tipológica entre documentos de biblioteca e de arquivo. Este trabalho decorreu durante o mês de Julho e permitiu desenhar, e fasear, uma estratégia específica para o tratamento da documentação de arquivo, nomeadamente:
1. Criar instrumentos de enquadramento da organização e da documentação por ela produzida, através da análise orgânico-funcional, como são os quadros de classificação, organigramas e quadros de contexto;
2. Separar a documentação de arquivo pelas secções de produção da organização, secretaria, direcção, tesouraria, classes, etc.;
3. Descrever a documentação ao nível da série com vista à criação do inventário em suporte electrónico.
As duas primeiras fases ficaram concluídas em Agosto, enquanto que a terminação do inventário da documentação de arquivo do Instituto de Coimbra está prevista para o final de Dezembro.
Em linhas gerais, trata-se de um acervo de pequenas dimensões, que ocupa cerca de 9 metros lineares de tabela, e que contém, entre outras, as actas das reuniões dos corpos dirigentes desta academia – Assembleia-Geral, Direcção e Classes –, fichas dos seus sócios, correspondência, facturas, provas tipográficas da revista O Instituto. A documentação encontra-se em razoável estado de conservação.